Foto: W. Quatman, Parque Nacional Chapada dos Veadeiros

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Joaquim Leite distorce dados do orçamento do MMA, não apresenta metas para conter alta do desmatamento e ignora papel do Ibama e ICMBio

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) manifesta incredulidade diante da coletiva de imprensa concedida pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na noite desta quinta-feira (18). Após dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrarem o maior desmatamento da Amazônia desde 2006, o ministro distorceu dados do orçamento do Ministério do Meio Ambiente, não apresentou ações concretas do governo para deter o desmatamento e jogou a responsabilidade das ações de prevenção para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, ignorando o papel imprescindível do ICMBio e do Ibama.  

Os dados do Inpe mostram um aumento de quase 22% em comparação com o ano passado. A área desmatada na Amazônia foi de 13.235 km² entre agosto de 2020 e julho de 2021. É a maior área desmatada desde 2006, quando o Prodes apontou 14.286 km² desmatados.

O ministro se negou a responder se a pasta tem metas concretas para redução do desmatamento. Além disso, a Ascema Nacional chama a atenção para o fato de a data do ofício do Inpe informando sobre a taxa de desmatamento ser de 27 de outubro – quatro dias antes do início da COP26, em Glascow, onde Leite afirmou não ter conhecimento dos dados. Trata-se de uma fake news descarada de caráter internacional para evitar pressão sobre o Brasil durante a Conferência do Clima. 

Joaquim Leite também alegou que dobrou os recursos do MMA, o que é mentira. Um dossiê produzido pela Ascema Nacional mostra que o orçamento para ações ambientais vem caindo ano após ano durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em uma clara tentativa de sucatear órgãos de proteção ambiental do país, em especial Ibama e ICMBio. 

Durante a coletiva, Joaquim Leite tentou fugir da responsabilidade acerca do combate ao desmatamento, citando uma operação no Ministério da Justiça e ignorando Ibama e ICMBio. Trata-se, como sempre, de uma tentativa de militarização da política ambiental e de sucateamento de órgãos ambientais com expertise em combate a crimes ambientais. 

A solução apresentada pelos ministros do MMA e da Justiça e Segurança Pública representa praticamente uma reedição da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), só que agora com a Força Nacional. Assim como a GLO consumiu recursos desproporcionais e não apresentou resultados satisfatórios no combate ao desmatamento, a Força Nacional também não tem a expertise necessária para ações deste tipo, sem o apoio imprescindível do Ibama e do ICMBio. 

A Ascema Nacional segue denunciando o desmonte ambiental que é a política de governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e exige que os crimes ambientais sejam levados a sério e que os servidores ambientais sejam valorizados e possam trabalhar em paz para desempenhar sua função essencial à sociedade brasileira e ao planeta. 

Diretoria Executiva

ASCEMA Nacional

Confira o dossiê produzido pela Ascema Nacional que mostra o desmonte ambiental levado a cabo pelo governo Bolsonaro: 

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