Foto: W. Quatman, Parque Nacional Chapada dos Veadeiros

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SERVIDORES SÃO AMEAÇADOS EM AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO CONTRA O DESMATAMENTO EM TERRAS INDÍGENAS DO PARÁ


Brasília, 19 de novembro de 2020

Desde terça-feira (17/11/2020) uma equipe que combatia desmatamento e notificava invasores da Terra Indígena Apyterewa, formada por agentes do IBAMA, Funai e Força Nacional sofre ameaças e tem seu trabalho impedido por pretensos manifestantes, que exigem o fim do combate ao desmatamento, em claro atentado a soberania do Estado brasileiro.

          Na terça-feira, uma parte da equipe havia sido emboscada, com a derrubada de árvores e destruição de uma ponte em um acesso a TI, e foram ouvidos disparos de armas de fogo, espingardas, possivelmente para o alto, com o intuito de intimidar a equipe.

        Ontem, após selado acordo com os manifestantes, foi combinado que as fiscalizações iriam recomeçar no dia seguinte. No entanto hoje, 19 de novembro ao amanhecer, os servidores foram surpreendidos com a ameaça de que não poderiam mais sair ou entrar na base. Os infratores estão ainda impedindo o acesso de mantimentos e combustíveis à base, demonstrando que a situação evoluiu de obstrução da fiscalização para cárcere privado.

       Os servidores têm recebido diariamente ameaças de invasão da base e queima das viaturas e helicópteros envolvidos na operação, desde o começo das atividades de fiscalização, com risco iminente à integridade física dos servidores.
A TI Apeterewa é vizinha da TI Trincheira Bacajá, e juntamente com esta, foi alvo de grande operação de fiscalização do IBAMA em abril deste ano, que zerou o desmatamento na região. Em claro gesto de retaliação, o governo Bolsonaro exonerou os servidores do IBAMA que coordenaram a operação[1]  e decretaram a submissão da pauta ambiental às forças armadas através da operação Verde Brasil 2[2].
          Após a retirada da equipe das TIs, o desmatamento e as queimadas voltaram a crescer na região.

         Os grandes riscos de conflito foram comunicados ao Superintendente do Pará (o sétimo a ocupar o cargo neste governo) e à Diretoria de Proteção do IBAMA (PMs de São Paulo) ainda no dia 17 de novembro, sem que qualquer medida de reforço na segurança da operação ou revisão do planejamento tenham sido adotadas.

        O atual cenário de descontrole sobre a região decorre da estratégia de desmonte da política e dos órgãos ambientais[3] praticado pelo antiministro do Meio Ambiente do desastrado governo de Jair Bolsonaro.


[1] http://www.ascemanacional.org.br/wp-content/uploads/2020/04/Covid19_servidores_ameac%CC%A7a.pdf

[2] http://www.ascemanacional.org.br/wp-content/uploads/2020/05/OPERAC%CC%A7A%CC%83O-VERDE-BRASIL-2-O-governo-gasta-milho%CC%83es-para-seguir-com-o-desmonte-2.pdf

[3] Denúncia completa em http://www.ascemanacional.org.br/wp-content/uploads/2020/09/Dossie_Meio-Ambiente_Governo-Bolsonaro_revisado_02-set-2020-1.pdf

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